No meu corpo mora um anjo
inquieto
perdido
tem asas negras como carvão
de tanto esforço
de tanto se tentar erguer
do meu corpo ele é dono
mas de meus sentidos é refém
sente-se cansado e acorrentado
aos meus sentimentos cortantes
suas penas estão a cair
lentamente
no ar formam esculturas
homens e mulheres que se apertam
meu anjo sonha ser feliz
meu anjo ainda acredita em mim
mas suas penas vão caindo
lentamente
formando no ar esculturas
formas
ilusões
de gente deprimente
homens e mulheres que se apertam
penas que se perdem
e no seu lugar
outras não florescem
ficam buracos fundos
ainda mais negros
de onde correm lágrimas
meu anjo está molhado
meu anjo esta desfeito
meu corpo está arruinado
tudo aqui vai perecer
meu anjo ainda acredita em mim!
homens e mulheres que se apertam
mas meu anjo está ferido
e meu corpo é desalento
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Anjo negro
sábado, 15 de março de 2008
Ornatos Violeta - Ouvi dizer
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga,ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura"
Porque este tema é especial para mim, porque este texto é lindo!
E principalmente porque me apetece!
sexta-feira, 14 de março de 2008
Frases escritas à toa!
Tu és o sol que está a subir no meu ser e a iluminar a noite que tomava conta dos meus dias!
Hoje estou meia em baixo, "quem procura o que não deve, encontra aquilo que não quer", hoje procurava algo e encontrei algo que me fez doer a alma....ninguém manda nos seus sentimentos! Paciência!
Para alegrar o dia sei que o meu amigo Grendel colocou o meu texto junto da sua foto :-) obrigado lindo! Realizaste mais um sonho meu!
quarta-feira, 12 de março de 2008
O amor da lua
Visto o vestido branco
imaculado
rodo sobre mim mesma
encantada
ponho o véu
bordado em linha de cetim
e sonho acordada....
apertada
sinto as linhas que me apertam
impedindo-me de sonhar
vejo-me numa ponte sem fim
sobre um rio turvo
onde nem os peixes sobrevivem
tento tirar este vestido
agora sujo e desbotado
rodo sobre mim mesma
chocada
meu ramo de rosas vermelhas
de negrume são invadidas
dele saem serpente
que para minhas mãos se encaminham
atormentada
atiro o ramo
que ao cair nestas águas turvas
reaviva a sua cor
as águas agora cristalinas
calmas me encantam
do ramo
sai uma aranha
grito
quanto mais grito maior é a sua teia
teia que me acode
e impede de cair
então teu rosto vejo no céu
entendo
amas-me à tua maneira
só não preciso do véu
terça-feira, 11 de março de 2008
Ser poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhas de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
(Florbela Espanca)
Ser poeta
Porque para mim ser poeta é mesmo isto
escrever o que me vai na alma, mesmo que por vezes nem eu entenda o que escrevo
porque a minha alma constrói as minhas palavras
porque, ela é a minha palavra escrita à toa
e porque me sinto inspirada
e gosto de escrever
mesmo que ninguém a entenda
sábado, 8 de março de 2008
Espero-te
mais do que o meu desejo permite
mais do que o meu amor consegue
mais do que o que me é conseguído
é dolorosa a espera
esperar ouvir-te chegar
e contudo saber que não vens
que nunca poderás chegar
é dolorosa a espera
saber que não te devo esperar
e contudo invento a tua chegada
os teus movimentos as tuas palavras
tudo me é tão nítido
tudo o que não nos é permitido
tudo o que poderia-mos fazer
tudo me é tão real
é dolorosa a espera
e contudo continuarei a sonhar
até um dia quem sabe
acabes mesmo por chegar
e por isso esperarei
até a esperança acabar
A lua
No perfume que sente o ar
na névoa que olha o mar
no som que aquece o sol,
ela pousa o seu dorso.
Nas ondas do mar, a calmaria.
Seu espírito confuso,
até onde iria?
Faz perguntas sem resposta
contorcida de prazer
é onde a gaivota pousa
que ela pede para viver.
Sua ira acompanhara
os amanheceres escolhidos
sua mão que é de fada
entre os dedos a escorrer
tem suas, as areias da praia
onde ama sem saber!
