Eu quero ser como tu
eu quero ser recriada
maior que a alma
maior que o teu nome
animal que quero
seguir alucinada
quando me apetece
ir além de mim
cheiro e rastejo
na tua procura
és mais que elemento
muito mais que alimento
uma alma perversa
que em mim se confessa
esta noite teremos chance
de suspirar nossos desejos
esconder-mo-nos no escuro
perdidos no tempo
retirar-lhe as asas
fazê-lo parar
vem para mim esta noite
juntos nos recrearemos
eu quero ser como tu
porque sei que tu
queres ser como eu
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Como tu
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Onde me escreves
Nas minhas costas nuas
manchadas de prazer
uma teia esculpida
a tinta de seda ou de loucura
és meus artista e pintor
és meu ponto de abrigo
nas minhas costas nuas
dedicas a tua vida
nesta teia esculpida
onde o prazer nos inspira
a vida nos inunda
A mim
Amanhecer neste quadro
onde meu rosto se espalha
tons que se esbarram
onde a nitidez se busca
e a imperfeição se apaga
por tuas mãos tocado
por meus olhos olhado
por outros apreciado
meu artista
meu protector
a mim me valorizas
neste quadro pintado
onde sempre adormeço
onde sempre existo
para lá da eternidade
para lá do infinito
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Olhando o mar
Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?
Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.
As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, 'star em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.
Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.
Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?
Fernando Pessoa
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Doze Moradas do Silêncio
na mais obscura solidão das searas e gemer
Amassar com os dentes uma morte íntima
Durante a sonolência balbuciante das papoulas
Prolongar a vida deste verão até ao mais próximo verão
para que os corpos tenham tempo de amadurecer
...colher em tuas coxas o sumo espesso
e no calor molhado da noite seduzir as luas
o riso dos jovens pastores desprevenidos...as bocas
do gado triturando o restolho....as correrias inesperadas
das aves rasteiras
....e crescerei das fecundas terras ou da morte
que sufoca o cio da boca.....
....subirei com a fala ao cimo do teu corpo ausente
trasmitir-lhe-ei o opiáceo amor das estações quentes.
Al Berto
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Longe de mim e de ti
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
( Miguel Torga )
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Meu sopro mortal
Sopro de paixão
sopro de vida
aborda-me essa ilusão
que eu tenho como tida.
Explosão de imagens
sentimento expresso
mitos e passagens
em mim.....confesso.
Composição sedutora
irresistível, tu és!
Quem me dera doutora
de todas, tuas marés!
Teu toque concretizo
no meu sopro mortal
a mim me autorizo
tu és, eu afinal!
